quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Mariana de Moraes














domingo, 18 de novembro de 2007

Na medida

No extremo oposto da máxima “os excessos caracterizam o mau gosto”, encontra-se o show que Mônica Salmaso e Benjamim Taubkin fizeram no Millennium Stage, nos Estados Unidos, em 2002. O vídeo está disponível no site do Kennedy Center e também no YouTube.

A começar pelo repertório, tudo parece ter sido feito com muito cuidado. Trata-se de uma pequena amostra do que já foi feito de melhor na canção brasileira. Destaque para Canto em qualquer lugar, de Ná Ozzetti e Itamar Assumpção, Camisa Amarela, de Ary Barroso, É doce morrer no mar, de Dorival Caymmi, e Valsinha, de Chico Buarque e Vinícius de Moraes.

A formação piano e voz condiz com a delicadeza do todo. No máximo, surge uma percussão leve quando Mônica empunha a caixa de fósforos, o pandeiro ou o tamborim. Dona de uma voz doce e, ao mesmo tempo, de textura encorpada, ela canta com uma expressividade absoluta, mas sem afetações. O piano de Benjamim assume um papel de acompanhamento sutil, sensível, sem abusar de virtuosismos. O entrosamento do duo que compartilha trabalhos desde 1998 é evidente e se expõe especialmente no diálogo da percussão com o piano em Cabrochinha, de Maurício Carrillo e Paulo César Pinheiro.

Concepção e interpretação na medida da beleza, da sensibilidade, da excelência artística. Vale a pena esperar o download!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

a bailarina

o vestido verde
a veste
para a dança da madrugada

sem vertigem
toma conta de seus pés
a sandália alta,
agora voa
e todos a vêem

as voltas
de braços lançados ao futuro
solta os lábios em sorriso
como quem comanda o absurdo

a echarpe marcando
o caminho
quebrado pelo silêncio dos violinos

sem mais tijolos vampiros
brinca sobre almofadas de lírios

terça-feira, 16 de outubro de 2007

sábado, 13 de outubro de 2007

Deu samba

Com a temática as palavras das canções, o Unimúsica (projeto de Extensão da UFRGS) este ano homenageia um grande compositor/letrista brasileiro por mês. Na edição de outubro, que ocupou o palco do Salão de Atos da universidade no dia 4, o cantor carioca Marcos Sacramento foi convidado para apresentar Noel Rosa.

A tarefa era desenvolver um repertório a partir da obra do Poeta da Vila. Marcos Sacramento já tinha mais de meio caminho andado. Isso porque sua carreira é praticamente dedicada a recriar clássicos do samba, ainda que ele faça sempre questão de destacar que não se considera um sambista. Marcos representa uma classe quase em extinção, a dos cantores homens, tão presente na época de Noel. “Ser um instrumento a serviço da obra de outros compositores dá muito trabalho”, diz ele. A exposição dos ouvidos infantis ao canto do pai, que imitava Jorge Veiga, e aos assovios com vibrato da mãe (esta bem explícita nas características leves vibrações da voz de Marcos ao final de alguns versos) pode ser uma pista da formação deste competente intérprete de sambas.

Para o espetáculo do Unimúsica, Marcos acrescentou mais canções de Noel, como Mulato bamba, Triste cuíca, X do problema, Filosofia e Último desejo, ao seu trabalho atual de divulgação do disco Sacramentos (2006), que já traz composições do “filósofo do samba” ao lado de outras de Custódio Mesquita, Herivelto Martins, Baden Powell e Luis Flávio Alcofra, entre outros. A formação que veio a Porto Alegre era reduzida (voz, violão e percussão), mas provou que de pouco se faz muito. Ainda mais se o pouco é uma medida meramente quantitativa e o muito já se apresenta na qualidade dos músicos, no caso, na voz certeira de Marcos, no violão sutil de Luis Flávio Alcofra e no pandeiro virtuoso de Netinho Albuquerque. A diversificação de sonoridades foi garantida pelos arranjos que privilegiaram nuances de dinâmica.

Um espetáculo à altura dos 26 anos do Projeto Unimúsica e que deu continuidade ao que Marcos Sacramento entende como sua “modesta contribuição”, no caminho de impedir que esse patrimônio de sambas caia no esquecimento.

Mais sobre
Noel Rosa.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Tinha uma sacada e uma churrasqueira. Dois quartos (um era suíte, inclusive), área de serviço. Na sala, um piano elétrico. Nas estantes, dividiam espaços livros, música, porta-retratos, um cachimbo. Ninguém se preocupava muito com porta-copos; e as taças de vinho debatiam com latas de cerveja sobre a mesa de vidro. Um tapete pequeno e sem inscrições ao pé da porta de entrada.

O Apartamento802 de um prédio localizado estrategicamente na Rua da República nos reunia.
Entre a fumaça dos cigarros, as palavras soavam em muitos tons. O Coltrane, que hipnotizava, e o JorgeBen, que nos tirava os sapatos, eram seguidos de VitorRamil, Bach, LedZeppelin, MarchinhasdeCarnaval, Ramones.

Discordávamos sobre filmes e livros, até convergir sobre outros filmes e outros livros. Começamos elogios até perceber que nossos argumentos não estavam bem formulados.

Rimos diversas vezes.

Muitas vezes, bêbados, desenhávamos elocubrações inertes a respeito das divagações inóspitas colhidas nas páginas dos jornais. Isso, até chegar o fim da madrugada e descansar os cabelos no sofá laranja.

De fato, veio a mudança; e as chaves da República802 foram entregues a uma gravata qualquer.
Desse modo, aqui, alguma parte de nós ainda usará o verbo e a imagem para guardar esse endereço.