sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Tinha uma sacada e uma churrasqueira. Dois quartos (um era suíte, inclusive), área de serviço. Na sala, um piano elétrico. Nas estantes, dividiam espaços livros, música, porta-retratos, um cachimbo. Ninguém se preocupava muito com porta-copos; e as taças de vinho debatiam com latas de cerveja sobre a mesa de vidro. Um tapete pequeno e sem inscrições ao pé da porta de entrada.

O Apartamento802 de um prédio localizado estrategicamente na Rua da República nos reunia.
Entre a fumaça dos cigarros, as palavras soavam em muitos tons. O Coltrane, que hipnotizava, e o JorgeBen, que nos tirava os sapatos, eram seguidos de VitorRamil, Bach, LedZeppelin, MarchinhasdeCarnaval, Ramones.

Discordávamos sobre filmes e livros, até convergir sobre outros filmes e outros livros. Começamos elogios até perceber que nossos argumentos não estavam bem formulados.

Rimos diversas vezes.

Muitas vezes, bêbados, desenhávamos elocubrações inertes a respeito das divagações inóspitas colhidas nas páginas dos jornais. Isso, até chegar o fim da madrugada e descansar os cabelos no sofá laranja.

De fato, veio a mudança; e as chaves da República802 foram entregues a uma gravata qualquer.
Desse modo, aqui, alguma parte de nós ainda usará o verbo e a imagem para guardar esse endereço.