Com a temática as palavras das canções, o Unimúsica (projeto de Extensão da UFRGS) este ano homenageia um grande compositor/letrista brasileiro por mês. Na edição de outubro, que ocupou o palco do Salão de Atos da universidade no dia 4, o cantor carioca Marcos Sacramento foi convidado para apresentar Noel Rosa.
A tarefa era desenvolver um repertório a partir da obra do Poeta da Vila. Marcos Sacramento já tinha mais de meio caminho andado. Isso porque sua carreira é praticamente dedicada a recriar clássicos do samba, ainda que ele faça sempre questão de destacar que não se considera um sambista. Marcos representa uma classe quase em extinção, a dos cantores homens, tão presente na época de Noel. “Ser um instrumento a serviço da obra de outros compositores dá muito trabalho”, diz ele. A exposição dos ouvidos infantis ao canto do pai, que imitava Jorge Veiga, e aos assovios com vibrato da mãe (esta bem explícita nas características leves vibrações da voz de Marcos ao final de alguns versos) pode ser uma pista da formação deste competente intérprete de sambas.
Para o espetáculo do Unimúsica, Marcos acrescentou mais canções de Noel, como Mulato bamba, Triste cuíca, X do problema, Filosofia e Último desejo, ao seu trabalho atual de divulgação do disco Sacramentos (2006), que já traz composições do “filósofo do samba” ao lado de outras de Custódio Mesquita, Herivelto Martins, Baden Powell e Luis Flávio Alcofra, entre outros. A formação que veio a Porto Alegre era reduzida (voz, violão e percussão), mas provou que de pouco se faz muito. Ainda mais se o pouco é uma medida meramente quantitativa e o muito já se apresenta na qualidade dos músicos, no caso, na voz certeira de Marcos, no violão sutil de Luis Flávio Alcofra e no pandeiro virtuoso de Netinho Albuquerque. A diversificação de sonoridades foi garantida pelos arranjos que privilegiaram nuances de dinâmica.
Um espetáculo à altura dos 26 anos do Projeto Unimúsica e que deu continuidade ao que Marcos Sacramento entende como sua “modesta contribuição”, no caminho de impedir que esse patrimônio de sambas caia no esquecimento.
Mais sobre Noel Rosa.
sábado, 13 de outubro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
se não me engano, tem um documentário sobre o noel vindo aí
Postar um comentário